quarta-feira, 12 de setembro de 2007

As Presenças das Mídias na Vida e na sala de aula

As mídias e tecnologias estão ao nosso redor e fazendo parte de nosso dia-a-dia a todo o momento. È importante para o contexto escolar termos definido o que são mídias. Conforme o dicionário de língua portuguesa diz que mídia é: “Todo suporte de difusão da informação que constitui um meio intermediário de expressão capaz de transmitir mensagens; meios de comunicação social de massas não diretamente interpessoais (como por ex. as conversas, diálogos públicos e privados).Abrangem esses meios o rádio, o cinema, a televisão, a escrita impressa(ou manuscrita, no passado) em livros,revistas, boletins, jornais, o computador, o videocassete, os satélites de comunicação e, de um modo geral, os meios eletrônicos e telemáticos de comunicação em que se incluem também as diversas telefonias” (Houaiss,Antonio.Rio de Janeiro.Objetiva S.D) Após definirmos mídias constatamos que elas estão em nossas salas de aula há muito tempo, portanto para que possamos aprender e ensinar na Sociedade da Informação e Comunicação devemos estar abertos ao estudo, a mudança e principalmente a elaboração conjunta de novos conhecimentos com nossos alunos. Porque como educador atuante em sala de aula é fundamental que saibamos a abrangência deste conceito. A escola e seus professores podem e devem estar abertos as mudanças que são inevitáveis, mesmo tendo consciência que alguns educadores possuem o medo de perder “a sua verdade” ou “o seu conhecimento” para seu aluno, porque não aceitam o trabalho de parceria, onde se aprende fazendo, refletindo e com o outro. È necessário que na escola, haja vivências e reflexões sobre o uso das mídias em sala de aula, onde se analise seus limites e seu potencial, de forma a dar ao professor condições para trabalhar com as mesmas. A escola pode se organizar discutindo, estudando, ouvindo sua comunidade e elaborando projetos interdisciplinares que envolvam tais mudanças em sua sala de aula. Sabemos hoje que dispomos de muitas mídias que podem ajudar em nossa prática educativa, e que, muitas vezes não as utilizamos por falte de conhecimento ou por acomodação. O professor deve, portanto, estudar, participar de formações, capacitações para sentir-se mais seguro e motivado para tornar sua sala de aula, um ambiente atrativo, acolhedor e criativo com o uso das mídias. Devemos compreender que a educação para as mídias ganha sentido quando se faz a educação por meio das mídias. Não se trata de propor mudanças na educação pela ótica do domínio das tecnologias sob a justificativa da modernidade, e sim de propiciar aos alunos e professores a utilização das mídias para a expressão de idéias, a produção de conhecimento, a comunicação e a interação social. O papel das mídias, na sala de aula é promover relações, flexíveis, abertas, dinâmicas, repletas de sentido; relações que interagem, questionem e motivem o processo ensino-aprendizagem onde possam aprender a ver mais abertamente o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade (como os programas de televisão). È necessário formar cidadãos, conscientes críticos e capazes de transformar a sociedade em que estão inseridos, promovendo a democracia e a integração social.
Elizete Orsi Fernandes

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Ambientes Interativos

A educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a uma nova tecnologia, onde os ambientes interativos vem adquirindo cada vez mais relevância na educação.
A utilização dos ambientes interativos como instrumento da aprendizagem vem aumentando cada vez mais entre nós.
A tecnologia faz com que mudemos nosso comportamento e na forma como elaboramos conhecimento e no relacionamento com o mundo, trazendo novas formas de ler, de escrever, de pensar e de agir.
Devemos utilizar os ambientes interativos como instrumento de apoio aos conteúdos, além de preparar os alunos para uma sociedade informatizada.
É claro que não podemos utilizá-los de forma descontextualizada, sem vínculo aos objetivos que pretendemos alcançar, mas desta forma o profissional deve ter formação tecnológica.
Nós como professores devemos promover a interdisciplinariedade em nossas aulas, onde o computador esteja inserido em atividades essenciais, assim passa a ser parte das questões ligadas à cidadania.

Mais dicas sobre o tema

Já temos pesquisado o assunto da Monografia em diversas bibliografias e links conforme registro neste blog. No endereço abaixo temos um artigo de Maria Elizabeth Bianconcini Almeida, para refletirmos mais sobre a inserção das tecnologias na escola e a formação dos professores, foco de estudo da monografia deste grupo. A proposta da autora no referido artigo é da formação-ação. Vamos conferir.
http://www.divertire.com.br/educacional/artigos/11.htm

Ainda sobre o tema e na mesma linha de formação continuada do professor temos no endereço abaixo um estudo de Marilena Rosalen e Sueli Mazzili, intitulado Formação de Professores para o Uso da Informática nas Escolas: Evidências da Prática http://www.anped.org.br/reunioes/28/textos/gt08/gt081345int.rtf

O livro de José Armando Valente, uma das fntes de pesquisa.
http://www.nied.unicamp.br/publicacoes/pub.php?cod_publicacao=72&classe=livro

Apresentações em PPT do autor: José Armando Valente.
http://pontodeencontro.proinfo.mec.gov.br/valente.ppt#279,21,Construcionismo
http://www.cempem.fae.unicamp.br/lapemmec/cursos/el654/alunos/kleber/informática%20na%20educação_valente.ppt
Marinez Forest Santos

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O paradígma educacional e a prática da sala de aula com tecnologias

Não há dúvidas de que vivemos hoje na sociedade da informação e comunicação. Ouvimos muito falar para expressar o momento atual, que vivemos na era do conhecimento, na era digital, na era da comunicação, aspectos que refletem o momento social e o papel das tecnologias de informação e de comunicação nas relações sociais, culturais e econômicas de nossa época. Nessa perspectiva torna-se necessário repensar o papel da escola e da aprendizagem.
Mas será que o sistema educacional brasileiro está preparando nossos jovens para a vida e está desenvolvendo as habilidades e competências necessárias para atuarem no mercado de trabalho atendendo as necessidades e novas exigências do mesmo e da sociedade do conhecimento?
Infelizmente nosso sistema educacional ainda continua sintonizado com a formação voltada para produção em série, visão fragmentada do conhecimento e do trabalho, condizente com a aprendizagem tradicional, que privilegia a memorização de definições e fatos, bem como soluções padronizadas, própria da sociedade industrial que visa resultados imediatos e não atendem as exigências deste novo paradigma.
Educação é formação holística e, portanto, esse modelo de educação e de aprendizagem são responsáveis também pela fragmentação do "Ser" que deixa de ser um todo e se torna alienante supervalorizando objetos e necessidades fictícias.
Aprender a "Ser", segundo Moran pode ser visto como o mais importante dos pilares da educação, pois ressalta a necessidade de superação das visões dualistas acerca do homem e das visões fragmentadas da educação. Aponta que a educação deve contribuir para o desenvolvimento integral do ser humano, não negligenciando nenhuma das potencialidades do indivíduo, ou seja, precisa promover a evolução de espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético e ético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Devendo criar um referencial de valores e de meios que preparem a pessoa para compreender e atuar em sociedades diferenciadas, tendo como papel essencial, proporcionar liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação, que possibilitem o desenvolvimento de seus talentos e da sua autonomia.
A formação do aluno consciente e crítico não passa apenas pela ação pedagógica problematizadora mediada pelo professor, mas pelo repensar da pedagogia educacional e da organização curricular das escolas. O modelo de educação fragmentada não condiz mais com as necessidades da sociedade hoje. Esse é um dos desafios da escola: preparar nossos jovens para exercerem plenamente a cidadania, para enfrentarem novos ambientes de trabalho e para viverem numa sociedade mediada pelas tecnologias e pela mídia. Cabe então, uma reflexão sobre como a escola está enfrentando essa questão com vistas a integração das mídias em sua proposta e ação pedagógica. A presença das tecnologias na sala de aula não garante a integração das mesmas no processo de aprendizagem, isto é na construção do conhecimento, conforme Moran,1995, as tecnologias tanto servem para reforçar uma visão conservadora, individualista, como uma visão progressista.
Segundo Borges, 2003, a utilização das tecnologias na escola está sempre vinculada à concepção teórico-metodológica adotada pelo professor. A visão tradicional de educação é mais comum em nossas escolas e está sintonizada com aquela concepção fragmentada de formação para o trabalho em série e do conhecimento. Nessa concepção, o foco da tecnologia inserida no processo educacional é como de um recurso e o enfoque recai na sua correta utilização, priorizando portanto, a técnica de ensino adotada pelo professor. "A educação tradicional atribui caráter utilitário às tecnologias" (Borges, 2003) como poderosas ferramentas com um fim em si mesmas e não como uma forma de auxiliar o aluno a avançar no processo de aprendizagem. Essa forma de conceber as tecnologias na educação, pressupõem a aprendizagem como um ato individual, desconsiderando seu caráter social e coletivo, o que a caracteriza como a educação tecnicista, tão criticada por alguns pensadores. Conforme Valente, 2005, segundo essa concepção, “o professor ensina quando passa a informação para o aluno e esse aprende porque memoriza e reproduz fielmente essa informação”.
No atual contexto social, cultural e econômico vemos que as tecnologias proporcionam grandes mudanças nas formas de pensar e de conceber o conhecimento. O conceito de aprender passa a ter nova interpretação que é a de construir o conhecimento e desenvolver a habilidade de trabalhar em grupo, o que caracteriza a aprendizagem colaborativa, isto é, atividades desenvolvidas pelos integrantes de um grupo motivados por intenções comuns, de forma cooperativa num processo de continua complementação.
A concepção de construção do conhecimento e de aprendizagem colaborativa, estão em plena sintonia com as TIC, onde os ambientes virtuais se caracterizam pela interação, pela produção coletiva do conhecimento interdisciplinar que requer a capacidade criativa, inovadora e de ver o mundo como unidade e fruto de colaboração e participação. É a concepção de educação sociointeracionista, na qual as tecnologias não são, um fim em si mesmas, mas são meios para a construção de um projeto educacional maior, são fontes de aprendizagem e não apenas de informação, onde o aprendiz depura e re-significa o objeto do conhecimento balizado pela rede complexa de fatores culturais, sociais e técnicos.
É o aprender a aprender. Processo que envolve aprender a se expressar, a ouvir o outro, aceitar e respeitar posições, interagindo colaborativamente para a reconstrução das idéias e ações, o que se embasa nos pilares básicos da cidadania que é o respeito às diferenças, a tolerância, a compreensão do ser e do aprender a ser e a fazer, possíveis apenas em ambientes de interatividade e de construção coletiva.
Vimos então, que a escola tem um grande desafio para efetivar a inclusão tecnológica na sua prática pedagógica, que passa por uma mudança de paradigma educacional e a compreensão da educação como um processo de construção do conhecimento pelo aluno. Na implantação dessa mudança pedagógica está subjacente outro grande desafio que é a formação de professores, tornando-os capazes de passar da pedagogia tradicional, diretiva e reprodutora, para a pedagogia ativa, criativa, dinâmica, libertadora, apoiada na descoberta, na investigação e no diálogo(Valente,2003).
A formação do professor para integração das TIC, mais especificamente do computador em sua prática pedagógica é um processo que deve passar pela atitude reflexiva da função da educação escolar, do papel do professor, das teorias construcionistas e, nesse direcionamento, as possibilidades que o computador oferece para criar ambientes de aprendizagem colaborativos promovendo construção de redes de conhecimento, ou seja, de aprender a aprender.




Notas
¹ Meios de comunicação de massa

MORAN, J. M . Novas tecnologias e o re-encantamento do mundo. Revista Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, vol. 23, n.126, setembro/outubro 1995, p.21-26

____ As Mídias na Educação. [on-line]. Faculdade Sumaré de São Paulo. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/textos.htm

BORGES, M. K. et al. Tecnologia, educação e aprendizagem: os desafios para o educador na era da comunicação e da informação. Florianópolis. UDESC/CEAD,2003. Caderno Pedagógico.

VALENTE, J.A., Integração das Tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. Secretaria de Educação à Distância. Brasília, 2005.

ALMEIDA, M.E., Informática e Formação de Professores. Vol 1. Série de Estudos - Educação à Distância. Proinfo. MEC. Brasilia, 2000

domingo, 9 de setembro de 2007

As Tecnologias e a Sociedade

As Tecnologias e a Sociedade


Desde os mais remotos tempos, o homem tem buscado se valer de artefatos e ferramentas que o auxilie na realização de tarefas e amplie sua capacidade de ação, das mais simples as mais complexas. Criou objetos de defesa, de subsistência, desenvolveu a fala, a linguagem e a escrita usando símbolos para a comunicação e registro de seus feitos e de suas vivências. A criação dessas tecnologias foi se desenvolvendo ao longo da história e de acordo com as necessidades da humanidade em cada época e momento histórico.
Por volta do século VII ac, surgiu a escrita alfabética a partir da qual o homem passou a desenvolver a comunicação escrita, percorrendo uma longa trajetória com diversos povos antigos culminando com os fenícios a criação do alfabeto constituído por letras. Segundo alguns historiadores foram a invenção do alfabeto que criou as primeiras condições para o surgimento e desenvolvimento das Tecnologias de Informação e de Comunicação. Porém, inicialmente tudo era manuscrito, nada era mecanizado. Isso mudou por volta de 1450, com o surgimento da prensa quando Gutemberg substituiu as pranchas xilográficas por caracteres móveis de madeira, o que tornou possível a impressão de cópias de folhetos e livros idênticos, impulsionadas pela explosão intelectual na Europa ocorrida com a Renascença. Esse fato mudou a forma de conceber o conhecimento que até então era feito diretamente pelos filósofos e mestres a seus discípulos. A possibilidade de reproduzir cópias idênticas de panfletos e livros impulsionou muitas outras mudanças na área religiosa, econômica, social, intelectual e cultural da época. Até o início do século XVI já havia milhões de livros impressos, o que provocou uma grande revolução na história da humanidade.
Com a imprensa e mais especificamente, com o surgimento do livro impresso, começaram a ocorrer grandes mudanças nas formas de aprender da humanidade, que passaram a ter acesso, lento é verdade, ao conhecimento. Estudiosos afirmam que sem essa mudança tecnológica dificilmente teriam ocorrido os grandes acontecimentos históricos como o protestantismo, desenvolvimento da ciência experimental e os estados nacionais.
O século XVIII também foi marcado por grandes mudanças tecnológicas que causaram profundas transformações econômicas, culturais, sociais e educacionais na história da humanidade. O surgimento das máquinas a vapor, que oportunizou a produção mecanizada, alterou o sistema produtivo com base agrária para o industrial e provocaram mudanças profundas nas formas de pensar, de agir, nas relações e na organização da sociedade.
A industrialização e o desenvolvimento tecnológico passam a crescer juntos a partir de então, pela necessidade de melhorar os mecanismos de produção e de colocação dos produtos no mercado exigindo dessa forma novos e ágeis sistemas de distribuição de produtos. Dessa forma surgiu a necessidade de desenvolvimento de redes de comunicação, redes de transporte férreo, redes elétricas e as linhas telegráficas, as rotas de navegação, pois é através dessas redes que acontece a comunicação e a circulação de pessoas, de informação e de mercadorias.
Paralelamente a isso, cresce o incentivo ao conhecimento científico, inicia o processo de urbanização impondo a sociedade novos costumes e novos valores, marcados pelo empreendedorismo e espírito criador, caracterizando a idéia de progresso vista nos últimos séculos.
Surgem também nessa época, impulsionados pelas descobertas científicas e pelas crescentes alterações culturais e comerciais, o correio moderno, o telégrafo, o telefone, a fotografia e o cinema. O desenvolvimento tecnológico associado ao das comunicações e telecomunicações levou no século passado, a ver o homem chegar à lua e, a conviver com novas tecnologias como o rádio, a televisão, o vídeo, os satélites, o computador e a internet.
Há dois séculos, a humanidade tem vivido as maiores e mais profundas mudanças da sua história, devido ao surgimento de um grande número e tipos de novas tecnologias que fazem parte da vida das pessoas e estão presentes nas diversas áreas do conhecimento, da economia, da saúde e da ciência.
Atualmente, o computador é a tecnologia que engloba as demais mídias, som, imagem, comunicação e informação e na sua trajetória histórica consta que passou a ser desenvolvido a partir de 1940, quando o primeiro modelo criado o ENIAC, tinha o tamanho equivalente a um prédio de três andares e consumia energia equivalente a de uma cidade. Mas, o computador só teve realmente um grande impacto na sociedade a partir dos anos 70 a 80 com a criação dos modelos domésticos e posteriormente com o surgimento da internet.
Esse breve panorama histórico da evolução das tecnologias nos permite observar o quanto esses meios podem produzir transformações sociais, econômicas e culturais na vida das pessoas e na história da humanidade e, analisar as conseqüências que essas transformações estão trazendo para o cotidiano das pessoas no âmbito social e educacional nos dias de hoje.
Embora essas tecnologias tenham sido criadas para fins diversos, que não intencionalmente específicos para educação, sabemos que assim como causaram grandes transformações na sociedade, podem da mesma forma, quando utilizados como meios, produzir novas formas de aprender, de ensinar, de interagir e assim nos levar a rever os fins e os métodos da educação. Isso representa um desafio para a escola na medida em que compete a ela a função de educar nossas crianças e jovens para serem futuros trabalhadores e cidadãos conscientes e atuantes (Borges... [et al.],2003)
Chegamos ao século XXI, com as grandes transformações produzidas pelas tecnologias de informação e de comunicação em nossos modos de ser, de pensar e de agir. Precisamos refletir e enfrentar sobre os desafios que essa realidade trás para a educação hoje, como utilizar de forma eficiente e eficaz as mídias no fazer pedagógico de forma construtiva e colaborativa e como preparar os professores para a utilização efetiva desses meios para a construção do conhecimento utilizando os mecanismos de interação, colaboração e cooperação.
Mas a introdução da informática educativa é um processo que precisa de políticas públicas específicas, de um esforço coletivo somando ações voltadas para o conhecimento desta nova realidade, dos novos paradigmas educacionais, da realidade cultural e social hoje e da clareza do que queremos e o que faremos para educar um jovem a fim de que se torne um cidadão crítico e consciente.
A Informática na Educação muitas vezes é vista como mera adição de uma tecnologia- o computador- no sistema educacional. Essa forma de conceber a Informática na educação parte do princípio de que o sistema de ensino precisa modernizar-se. Na prática, isso envolve a montagem de laboratórios, a aquisição de equipamentos e a presença de professores capacitados.

Na tentativa de utilizar o computador como mais uma técnica moderna de ensino, algumas escolas optam pelo uso de softwares específicos sobre determinado conteúdo do currículo escolar, que se constitui de uma série bem estruturada, de fatos e exercícios, que têm como objetivo a fixação de informação e de um padrão de resolução de problemas. Tradicionalmente, são os mesmos exercícios aplicados por um professor em sala de aula, com a utilização do uso do quadro-negro, de livros ou apostilas. Mas, pela qualidade do recurso em si, os programas, geralmente, se apresentam aparentemente de forma mais atrativa e com possibilidades de adaptar as seqüências de exercícios à capacidade do aluno.

Nesse caso, o uso do computador é localizado no âmbito de uma determinada disciplina. Entretanto, o fator mais importante é que suas características pedagógicas não propiciam mudanças na estrutura de ensino e nem no conteúdo. Em outras palavras, “o uso do computador como máquina de ensinar consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais” (Valente 1993). Nessa maneira de pensar e agir pedagogicamente existe a crença de que, para melhorar a Educação, é preciso aperfeiçoar a instrução, isso é ensinar melhor com técnicas mais eficientes.

O uso do computador pode e deve transcender a concepção fragmentada do conhecimento. A visão que acolhe a Informática na Educação para reproduzir o sistema de ensino, por meio de mais uma técnica ou como mais uma disciplina do currículo, precisa ser revista. Principalmente quando se tem preocupação efetiva com os aspectos educacionais. Portanto, torna-se fundamental reconhecer que não basta modernizar um paradigma saturado de ensino. É necessário e urgente transformar o modelo educacional para que o processo de conhecer e de atuar seja integrado e interdisciplinar. O computador pode contribuir para o estabelecimento desse novo paradigma.
Para que o professor motive-se a usar o computador em sua sala de aula precisamos de uma didática eficiente e eficaz que tenha por finalidade o desenvolvimento da capacidade de aprender e de aprendizagem dos alunos, para que isso aconteça é importante termos em mente o tipo de sociedade, sujeito e educação que queremos formar.
Toda e qualquer ação só será positiva se construída coletivamente, partindo de ações onde todos possam colaborar, sem anular as individualidades, mas fortalecendo o coletivo.
A utilização de tecnologias em todos os ramos da atividade humana coincide com um momento de questionamento e de reconhecimento da inconsistência do sistema educacional.
Qual é a atitude que o professor tem diante de um novo conhecimento? No caso em estudo o computador. É desejável que o professor seja um sujeito criativo, com iniciativa, capaz de interpretar e solucionar problemas, de buscar, selecionar, interpretar, organizar, gerar informações e aprender continuamente. Para isso, o professor precisa dominar as linguagens contemporâneas, isto é, saber comunicar-se através dessas linguagens. A emblemática figura do professor sabe-tudo e entregador de informações não se sustentam mais.
Prado (1993) “ O aprendizado de um novo referencial educacional envolve mudanças de mentalidade(...) mudança de valores, concepções, idéias, e, conseqüentemente, de atitudes não é um ato mecânico. É um processo reflexivo, depurativo, de reconstrução, que implica em transformação, e transformar significa conhecer.”
Uma questão que acredito ser imprescindível para o professor levar adiante a inserção das tecnologias em seu trabalho diário é desfazer a confusão feita por muitos educadores sobre a questão informática educativa vista como uma forma de aprender lidar com o computador e não de colocá-lo como um meio de aprendizagem.
Para se integrar o computador ao processo ensino-aprendizagem o professor deve planejar analisar problemas, fazer reflexões, enfim repensar sua prática pedagógica sabendo que o grande desafio hoje é levar seu aluno a utilizar os recursos multimídia e a interagir a partir deles.
A grande importância pedagógica do acesso ao computador é que neste ambiente, os alunos podem aprender fazendo, ao contrário de aprenderem apenas ouvindo como as coisas devem ser feitas, para isso é necessário que o professor crie um ambiente que estimule o pensar, que desafie o aluno a aprender a construir o seu saber num processo cumulativo de ajuda mútua e de percepção partilhada de problemas e necessidades.
É imprescindível que o professor se dê conta que “o erro é considerado benéfico porque nos leva a estudar o que aconteceu errado, e através do entendimento, a corrigi-lo(...) O professor também é um aprendiz(...) todos aprendem com os próprios erros”. (IBID:142) O professor precisa reconhecer os conflitos, para que cada um descubra a potencialidade de aprender, a partir dos próprios erros.
A formação do professor não pode estar, portanto dissociada da prática diária de sala de aula.
Para Dewey(1979) Toda a experiência em desenvolvimento faz uso de experiências passadas e influi nas experiências futuras. O educador é um eterno aprendiz, que realiza uma “leitura” e uma reflexão sobre sua própria prática.
Paulo Freire (1995,1996) dizia que: o professor além de ensinar, o professor aprende, e o aluno além de aprender ensina.
Para o professor, o desafio é criar condições que proporcionem aos alunos uma abertura para novas situações, a liberdade de escolha quanto às direções a seguir e a descoberta do estilo individual de vencer obstáculos.
O professor diante de um novo problema deve assumir uma atitude de pesquisador e levantar hipóteses, realizar experimentações, reflexões, depurações e buscar a validade de suas experiências.
Nóvoa acentua que: “hoje, formação não é qualquer coisa prévia à ação, mas que está e acontece na ação”.
O computador não pode ser visto como “modismo” e sim como uma forma de reflexão-ação em nosso processo ensino aprendizagem.
Não abraçar a tecnologia como mais um modismo, eis o desafio que se coloca para os educadores antenados nesta sociedade informática. Tarefa nada fácil, pois, ao mesmo tempo em que somos testemunhas do espetáculo da complexidade que as tecnologias trazem em seu bojo, presenciamos também esta mesma sociedade informática instituindo novos ritmos, paradigmas, perspectivas, novas formas de se organizar, de trabalhar, de aprender e de viver/conviver (Moraes, 1997).
Infelizmente o professor não foi preparado para pensar na sua prática o que dificulta e muito sua formação para o uso do computador.
Para dar início ao engajamento desta tecnologia na escola, não se pode esperar que todos vão se engajar, muitas vezes o trabalho é de “formiguinha” e poucos vão interessar-se. È importante projetos construídos coletivamente onde “as novas práticas são inventadas, conquistadas, construídas coletivamente, e não no isolamento individual”. (Hutmachor, 1995)
É necessário que o professor se envolva integralmente nos processos de mudança na educação, segundo Freire & Prado 1995.
O uso do computador como ferramenta de aprendizagem requer uma mudança de postura do professor e mudança esta que nem sempre é do interesse do professor, e, mesmo quando o professor demonstra optar pela mudança, esta não ocorre de imediato, mas num processo gradativo, composto de ações, reflexões e depurações “. (Almeida 1996)
É necessário, portanto um trabalho prévio e orientado, onde a supervisão e a orientação de projetos pedagógicos envolvendo a web sejam organizados de forma que os ambientes educativos não se transformem em redes sociais.

Em Educação tudo pode ser tomado como tecnologias e os limites das tecnologias não estão propriamente nelas. Via de regra, tendemos a nos apropriar das tecnologias a medida que vemos os outros fazerem (se nossos olhos vêem lâminas de retroprojeção serem empregadas exemplarmente para apresentar conteúdos que poderiam ser apresentados em quadro de giz, passamos a faze-lo na mesma dimensão).
O nosso pequeno conhecimento em torno das características e particularidades das diversas tecnologias é que nos faz lidar com elas restritamente. (por exemplo, usamos o filme gravado em vídeo como se fosse o próprio filme, a internet como se fosse um espaço privilegiado para difusão de mensagens impressas, quando é altamente apropriado para difusão de mensagens cinético-audiovisuais (Hildenbrand, 2007)

Hoje nos deparamos com a necessidade de compreender as tecnologias a ponto de incorporá-las com propriedade a nossa prática.

Os professores precisam conhecer mais as TIC, para que, dotados de conhecimentos, atitudes, práticas e posturas compatíveis, possam integrá-las ao fazer pedagógico. A existência de lacunas de conhecimentos nesse sentido, justifica a tão pouca utilização de umas tecnologias nas aulas e o uso exagerado de outras.

O ato de educar desafia o professor a incorporar diversos meios de comunicação no seu fazer pedagógico, pois as tecnologias estão efetivamente presentes na escola, introjetadas na cultura dos alunos. Porém, a relutância dos professores em apropriar-se das novas tecnologias no sentido de dar novo significado e sentido ao processo de ensino-aprendizagem tem contribuído para a instalação do abismo em escola e realidade. Alijada da cultura midiática que fomenta os modos de ser e fazer da sociedade hoje, a escola é vista como descontextualizada, mantendo a postura de abordagem fragmentada dos conteúdos.

Usar tecnologias na escola requer muito mais do simples clicar de botões, é necessário a fundamentação associada a uma base filosófica relacionada a compreensão da tecnologia educacional. Assim, incorporar a tecnologia na escola e na prática pedagógica a partir dos pressupostos de interação e construção do conhecimento, baseados na realidade do aluno, visando a aprendizagem como processo cooperativo, requer do professor tempo de estudo e desejo para aprender. Esses aspectos representam condição primeira para a presença das tecnologias na escola como mediadoras da compreensão da realidade em que vivemos.
Outro aspecto de grande importância é a formação do professor, pois segundo Nóvoa (1997), a troca de experiências entre os docentes solidifica os espaços de formação continuada em que cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e formado. Tardif(2002) lembra que seremos reconhecidos como sujeitos do conhecimento e verdadeiros atores sociais quando começarmos a reconhecer-nos uns aos outros como pessoas competentes, pares iguais que podem aprender uns com os outros.
Para Fernando Almeida esta formação passa por duas vertentes:
· Uma é da sua formação em serviço, a partir do cotidiano, nascida de seus problemas, da realidade de seus alunos, de seu contexto, buscando aliar teoria à prática e a prática reiluminando e reformulando as teorias.
· A outra é a apropriação dos uso das tecnologias da informação e comunicação(TIC) como elemento de sua profissionalização. Aprender a manipulá-las, pensar sobre ela, pensar com ela, documentar processos cognitivos e aperfeiçoar as dinâmicas de aprendizagem dos alunos – e a própria – são alguns dos objetivos do uso das TIC.Mas não se trata de um uso extemporâneo ou como anexo do currículo escolar. No uso a que me refiro é o próprio currículo que se revê.(Almeida. 2005,on-line)
Para garantir que os professores possam integrar as TIC ao currículo, não é suficiente apenas oferecer uma formação que tenha como foco a aprendizagem sobre diferentes softwares ou teorias de aprendizagem. É preciso propor estratégias e o desenvolvimento de habilidades que possibilitem ao professor ser autônomo e ao mesmo tempo capaz de colaborar, sugerir, facilitar e construir projetos em parceria com outros educadores.

As tecnologias educacionais, nas diversas categorias como impressos, audiovisuais e informáticos, não são presença constante na maioria das salas de aula e, no geral se estão presentes é de forma muito limitada de suas possibilidades pedagógicas. Buscar a alfabetização tecnológica é portanto, é uma necessidade urgente e imediata.

Precisamos avaliar nossa prática, saber se nossos percursos são os caminhos mais próprios para os fins educacionais que pretendemos.

Segundo Fagundes (2004), o percurso da escola para adentrar nesse mundo conectado e permeado por tecnologias, passa necessariamente pela curiosidade, pelo intercâmbio de idéias e pela cooperação mútua entre todos que se encontram envolvidos no processo.
Bibliografia:

ALMEIDA, M.E.B. Informática e Formação de professores. Série de Estudos.Vol I. Brasília, Ed.Parma Ltda, 2000.
BORGES, M.K. [et al.] Tecnologia, educação e aprendizagem: os desafios para o educador na era da comunicação e da informação. Florianópolis, UDESC/CEAD, 2003.
CHAVES, E.O.C. O Desafio da Tecnologia na Educação [on-line] Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art Acesso em: 25/07/2007
FAGUNDES, Léa. Podemos vencer a exclusão digital. Revista Nova Escola online. São Paulo, n.172, ab./maio,2004.
MARCUSSO Nivaldo,BRITO Paulo,TELLES Marcos ,coordenadores) . Praxis – Comunidade de Prática de Tecnologia em Educação
MORAN, J.M., MASSETO,M., BEHRENS, M.A Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. SP. Papirus, 2003
MORAES, MARIA CÂNDIDA. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus,1997
MORIN, Edgar. Ciência com Consciência. RJ Bertrand Brasil, 2003
HILDENBRAND, Luci. Revista ABC EDUCATIO – Ano 8, nº 67 - jun/jul/2007 P.28

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Iniciando as reflexões

Sabemos que existem muitas experiências significativas e com excelentes resultados de utilização das tecnologias na construção de aprendizagens, principalmente com a utilização de ambientes interativos. Mas nem sempre a integração das mídias no processo pedagógico é um mar de rosas, muitos aspectos ainda precisam ser resolvidos, como as formas de utilização, o entendimento das teorias atuais de aprendizagem que norteiam o processo de construção e do aprender a aprender, o planejamento conjunto e participativo, o entendimento da aprendizagem através dos projetos pedagógicos e principalmente a formaçao dos profesores, através dos quais a inserção das tecnologias na educação podem se concretizar de forma efetiva e eficáz.
Vamos interagir neste espaço, aprofundando com fundamentação teórica e experiências vividas, o tema em questão.

Considerações iniciais

A criação deste blog faz parte do estudo sobre Projetos Pedagógicos Utilizando Ambientes Interativos Virtuais, cuja análise e reflexão do tema, pelos integrantes do curso, vem se desenvolvendo através de diversas ferramentas virtuais de característica interativa e colaborativa de comunicação, como fórum, e-mail, chat, wiki e blog.
A tônica principal do objeto de estudo é a análise das ferramentas de comunicação virtual e, sua possível utilização pedagógica como ambientes de aprendizagem, com finalidades didáticas específicas, direcionados especialmente para a elaboração e desenvolvimento de projetos pedagógicos.
As características que envolvem esses ambientes virtuais favorecem o desenvolvimento da aprendizagem de forma autônoma, criativa, colaborativa e interativa, motivando alunos e professores à construção do conhecimento e elaboração de conceitos com mais significação, pois vislumbram a valorização e possibilidade de interagir no contexto virtual globalizado.
Este ambiente colaborativo tem por finalidade a prática interativa de leituras, bibliografias, links, informações diversas, relatos de experiências e outras ações que compõem nossa trajetória de elaboração da monografia do Curso de Especialização - Tecnologias em Educação, cujo tema é: Aprendizagem através das mídias - uma proposta de utilização.